Audiência de Custódia: O Momento Decisivo Após a Prisão

No nosso último artigo, discutimos os detalhes da Prisão em Flagrante. Vimos que ela é uma medida imediata para cessar um crime. No entanto, o que acontece imediatamente após a passagem pela delegacia é ainda mais determinante para o futuro do acusado: a Audiência de Custódia.

Este é, sem dúvida, o primeiro e mais importante "campo de batalha" jurídico após uma prisão. É o momento que define se o cidadão responderá ao processo em liberdade ou se aguardará o julgamento preso.

Como advogados com profunda atuação no Direito Penal, da instrução processual até o Tribunal do Júri, nós, do escritório Francisco Sales - Advocacia & Consultoria, tratamos a audiência de custódia com a máxima seriedade e urgência.

1. O que é a Audiência de Custódia?

A Audiência de Custódia é um direito fundamental. Ela consiste na apresentação rápida (em até 24 horas) de qualquer pessoa presa em flagrante a um Juiz.

O objetivo não é julgar se a pessoa é culpada ou inocente. O foco é duplo:

  1. Analisar a Legalidade: Verificar se a prisão foi feita de acordo com a lei e se o preso sofreu qualquer tipo de violência, tortura ou maus-tratos (controle da atividade policial).

  2. Analisar a Necessidade: Avaliar se é realmente necessário manter essa pessoa presa preventivamente ou se ela pode responder ao processo em liberdade.

2. O que o Juiz NÃO Vai Decidir

É crucial que o cidadão e sua família entendam: nesta audiência, o Juiz não analisará o mérito do crime.

Não serão ouvidas testemunhas de acusação (além dos policiais, se necessário), não será analisado se "foi ele mesmo" ou "se não foi". O processo de julgamento (instrução processual) virá depois.

A audiência de custódia trata exclusivamente da legalidade e da necessidade da prisão naquele momento.

3. Os Três Caminhos Possíveis: A Decisão do Juiz

Ao final da audiência, após ouvir o Ministério Público (promotor) e a Defesa (advogado), o Juiz tomará uma de três decisões. É aqui que a atuação de um especialista se torna vital.

A. Relaxamento da Prisão

Se o Juiz constatar que a prisão foi ilegal, ele deve "relaxar a prisão".

  • O que é? Uma prisão ilegal é aquela que não seguiu as regras do Código de Processo Penal. Exemplos:

    • Flagrante forjado ou preparado.

    • Invasão de domicílio sem mandado ou sem justificativa.

    • Prisão realizada horas depois do fato, sem perseguição (não era mais flagrante).

    • Comprovação de tortura ou violência policial para obter a confissão.

  • Resultado: O preso é colocado em liberdade imediatamente, pois a prisão "não valeu".

B. Concessão da Liberdade Provisória

Se o Juiz entender que a prisão foi legal (seguiu as regras), ele passa para a segunda análise: ela é necessária?

Se o Juiz entender que o acusado não oferece risco ao processo, ele concede a Liberdade Provisória.

  • O que é? É o direito de responder ao processo em liberdade. O Juiz entende que a prisão, neste momento, é desnecessária e desproporcional.

  • Resultado: O preso é solto, mas geralmente fica vinculado a "medidas cautelares" (Art. 319 do CPP), como:

    • Comparecer ao fórum periodicamente.

    • Não sair da cidade sem autorização.

    • Proibição de contato com a vítima.

    • Recolhimento noturno (dormir em casa).

    • Monitoramento por tornozeleira eletrônica.

A liberdade provisória pode ou não ser condicionada ao pagamento de fiança.

C. Conversão em Prisão Preventiva

Este é o pior cenário. Ocorre quando o Juiz entende que a prisão foi legal E que a liberdade do acusado representa um risco.

  • O que é? O Juiz "converte" o flagrante (que era temporário) em Prisão Preventiva (que dura, em tese, por todo o processo).

  • Por que ocorre? O Juiz precisa fundamentar essa decisão em um dos motivos do Art. 312 do CPP:

    • Garantia da ordem pública: Se há risco de o acusado voltar a cometer crimes (reincidência, gravidade do crime).

    • Conveniência da instrução criminal: Se há risco de o acusado ameaçar testemunhas, destruir provas ou atrapalhar a investigação.

    • Assegurar a aplicação da lei penal: Se há risco concreto de o acusado fugir.

  • Resultado: O preso é encaminhado ao sistema prisional (presídio ou penitenciária), onde aguardará o desenrolar do processo.

4. Por que a Defesa Técnica é Tão Importante na Custódia?

A audiência de custódia é um ato complexo, rápido e que exige profundo conhecimento técnico e poder de argumentação. O Ministério Público, via de regra, pedirá a conversão em prisão preventiva. O papel do advogado é lutar contra isso.

Nossa atuação no escritório Francisco Sales se divide em três frentes:

  1. Trabalho Prévio (Documentação): Assim que somos contratados, corremos contra o tempo para reunir documentos essenciais para a audiência: comprovante de residência fixa, carteira de trabalho, declarações de trabalho lícito, certidões negativas. O objetivo é mostrar ao Juiz que o cliente tem raízes e não representa um risco.

  2. Análise Técnica do Flagrante: Analisamos o Auto de Prisão (APFD) minuciosamente, buscando falhas processuais, contradições nos depoimentos dos policiais e qualquer indício de ilegalidade que fundamente o pedido de Relaxamento.

  3. Sustentação Oral (A Batalha Jurídica): Durante a audiência, é nosso papel demonstrar ao Juiz que os requisitos da Prisão Preventiva não estão presentes. Argumentamos que as medidas cautelares (como a tornozeleira) são suficientes para garantir a ordem e o processo, tornando a prisão (a ultima ratio) desnecessária.

Conclusão

A Audiência de Custódia é o divisor de águas. Uma defesa técnica, ágil e combativa nestas primeiras 24 horas pode significar a diferença entre responder a um processo em liberdade ou passar meses (ou anos) encarcerado antes mesmo de um julgamento.

Se você ou um familiar foi preso em flagrante, não espere. Cada minuto conta.

O escritório Francisco Sales - Advocacia & Consultoria possui a expertise necessária para atuar de forma imediata e estratégica na defesa da sua liberdade.

Entre em contato conosco imediatamente.

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